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Datena ou Marçal? A culpa é de todos nós

Por força de ofício, eu era um dos poucos seres na face da Terra que assistia o debate entre candidatos à Prefeitura de São Paulo na TV Cultura desde o seu início. Seria mais um entretenimento com baixa audiência, que serviria nos tempos atuais para ser utilizado posteriormente nas propagandas e nos cortes para as mídias sociais.

Foi uma noite triste, mas esclarecedora em relação ao nível da política brasileira. Teremos eleições que se moverão por apoios, padrinhos, tempos de televisão, cortes em mídias sociais, números enganosos etc, sem propostas concretas e sem debate sobre possíveis ideias diferentes. A eleição virou um Fla x Flu ou um Grenal, enfim, virou um jogo de torcidas apaixonadas e nada mais.

O ‘jogo’ teve início e seguiu melhor em termos de regras visando impedir lacrações e outras baixarias, pretendendo dar espaço para temas de interesse da população e propostas para a cidade. 

Essa foi a primeira agressão ao telespectador. Quem não tem candidato ou não os adota, como torcida de futebol, teve uma grande decepção. Nenhum dos candidatos respondia algo efetivo, tinha uma proposta sólida e consistente para os problemas da cidade. Os de oposição buscavam atacar a gestão atual, que buscava defender-se com números e dados questionáveis.

Ali estava o resumo do que seria o debate. Argumentos e discursos que navegam em outra dimensão, muito distante dos interesses da população. Números utilizados ao gosto do freguês. Se tantas creches, hospitais, escolas e centros de saúde foram implementados, não teríamos dez por cento dos problemas que existem. E todos se utilizam dos números, cada um falando da gestão de seu partido ou de seus aliados quando ocuparam a prefeitura.

O debate seguiu morno, nessa toada de discussões burocráticas, sem propostas concretas. Até que surgiu a oportunidade de perguntas entre os candidatos e Pablo Marçal, que vinha muito apagado na discussão de ideias, resolveu partir para o embate, terreno em que navega com maestria. E escolheu como alvo, o candidato que já havia percebido, tem a menor paciência contra provocações, um candidato impulsivo e emocional.

O resto todas já sabem e já viram. Ao levar a provocação ao nível extremo de envolver questões familiares, veio a agressão e a interrupção do debate. Tivemos 10 minutos de intervalo onde, por falta de ter o que colocar no ar, Fomos brindados com uma versão orquestrada de Garota de Ipanema, uma bossa nova que em nada combinava com a expectativa e o clima de retorno.

Ao retornar, o jornalista e mediador Leão Serva pediu desculpas à audiência pelas cenas lamentáveis de pugilato e explicou que os demais candidatos optaram por continuar o debate, em respeito à audiência. O debate continuou, com o mesmo baixo nível, ataques pessoais e sem propostas, demonstrando que a ausência de planos consistentes para a cidade não seria exclusividade dos candidatos agora ausentes (Datena expulso pela agressão e Marçal encaminhado ao Hospital Sírio Libanês).

Com exceção da agressão física, o que aconteceu em São Paulo, replica-se pelo país. Você eleitor, que já escolheu ou não seu candidato, sabe ao menos três propostas dele para sua cidade?

Francisco Gomes Junior, advogado sócio da OGF Advogados, formado pela PUC-SP, pós-graduado em Direito de Telecomunicações pela UNB e Processo Civil pela GV Law – Fundação Getúlio Vargas. Foi Presidente da Comissão de Ética Empresarial e da Comissão de Direito Empresarial na OAB.É presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor (ADDP). Coautor da obra “Contratos Empresariais em nossos Tribunais” e “Justiça sem Limites”
Instagram: @franciscogomesadv

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