A exposição O Boto entra em cartaz no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso (CCJ), em Cachoeirinha, dia 15 de março, sábado, 15h. Com curadoria de Gabriel Babolim, O Boto utiliza da narrativa folclórica para discutir migração e cultura em território brasileiro. As obras são uma série de pinturas e fotografias que retratam cenas, memórias e vivências revisitadas pelos artistas naturais do Pará (Luciano Maia) e Ceará (Rafael Paiva) após mudarem-se para a capital paulista. A visitação é gratuita.
No conjunto de obras, as referências à figura mitológica do boto-cor-de-rosa alternam entre as narrativas regionais de populações ribeirinhas do baixo amazonas – com as simbologias folclóricas que se constituíram pela tradição oral – e práticas cotidianas de regiões do Ceará, nas regiões de Fortaleza e Carnaubal, onde a mitologia é sugerida pela presença de entidades, movimentos e indumentárias. Os artistas reimaginam a realidade através de uma lente subjetiva que confere mágica à normalidade, na qual o véu do invisível é levantado e seres fantásticos convivem com a rotina humana.
“O objetivo da mostra é celebrar a multiplicidade cultural que compõe nosso território brasileiro, e levantar discussões importantes para o cenário sócio-político, como diversidade cultural e movimentos migratórios. É importante que saibamos que as identidades estão em constante fluxo e que possamos entender cultura como um oceano onde diversos canais se integram, enriquecendo a experiência humana”, comenta o curador Gabriel Babolim.
Na sala de exposições do CCJ, estruturas de biombo delimitam um caminho serpenteado, onde o visitante pode conferir de perto as produções dos artistas, finalizando em uma grande instalação de pinturas em tecido na qual o visitante pode adentrar as cenas representadas.
O projeto conta ainda com encontros de arte-educação a serem realizados com os artistas e o curador, como visitas guiadas e oficinas práticas, com datas ainda a serem divulgadas. O visitante também pode, durante todo o período de exibição, solicitar o acompanhamento do setor educativo para mediação e consulta sobre a mostra, de quinta à domingo no período das 12 às 18 horas.
O Boto foi contemplado pela 21ª edição do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, que atua no desenvolvimento cultural e formação para a cidadania na cidade de São Paulo e tem como objetivo facilitar o acesso à arte e cultura nas regiões periféricas do município e estimular o pensamento crítico acerca das questões que envolvem as produções de arte contemporânea.