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Escola Santa Marcelina desenvolve projeto educativo sobre os riscos da internet para crianças

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Sempre atenta às transformações do mundo digital e aos desafios enfrentados por crianças e famílias no ambiente online, a Escola Socioeducacional Santa Marcelina – Terra Nova, localizada na Bahia, desenvolveu o projeto educativo “Tela e seus dois lados”. A iniciativa visa conscientizar os estudantes sobre os riscos associados ao uso da internet, com foco em jogos online, excesso de telas, contato com desconhecidos, cyberbullying e exposição a conteúdos inadequados para a faixa etária. Realizado ao longo de 08 meses (março a novembro), o projeto envolveu 23 alunos em atividades lúdicas e reflexivas sobre o uso responsável da tecnologia.

O projeto foi desenvolvido em um contexto de crescente preocupação com a segurança online para crianças e adolescentes. Recentemente, a plataforma de jogos Roblox anunciou mudanças em suas políticas, como restrições no chat de voz conforme a idade dos usuários e a exigência de verificação facial, medidas que reacenderam debates sobre a proteção infantil na internet e reforçam a importância de iniciativas educativas nas escolas.
 

Para abordar esses desafios de maneira prática e acessível, o projeto “Tela e seus dois lados” foi estruturado com atividades pedagógicas adaptadas à faixa etária dos estudantes. Entre as ações, destacam-se rodas de conversa, propostas reflexivas e produções artísticas de caráter educativo, como paródias e raps, que incentivaram o uso consciente das tecnologias digitais.
 

As atividades foram conduzidas com a mediação pedagógica da Orientadora Educacional da escola e utilizaram recursos como vídeos educativos, discussões guiadas e produções criativas. Os conteúdos abordaram temas atuais e sensíveis, como golpes virtuais, proteção de dados pessoais e o consumo de conteúdos impróprios para a idade.
 

De acordo com a Orientadora Educacional Carine Santana, o objetivo foi ampliar a compreensão dos estudantes sobre os limites e responsabilidades envolvidos no uso das tecnologias digitais. “O excesso de telas pode gerar prejuízos à saúde física, emocional e social das crianças, afetando o sono, a concentração, a convivência e a autoestima. A proposta do projeto surgiu a partir da necessidade de abordar esses impactos de maneira acessível e educativa”, afirma a professora responsável pela iniciativa.
 

Ao longo do desenvolvimento do projeto, alguns desafios se tornaram evidentes, especialmente quanto à supervisão do uso das telas no ambiente familiar. Segundo a professora, parte dos estudantes não conta com supervisão constante em casa, o que exige estratégias pedagógicas contínuas. “Mesmo diante dessas dificuldades, o diálogo sistemático e as práticas educativas propostas favoreceram o desenvolvimento da autorregulação entre os estudantes”, comenta Carine.
 

A iniciativa contou ainda com a participação de profissionais da área da saúde. Em um primeiro encontro, psicólogas convidadas discutiram os riscos do uso da plataforma Roblox, com foco na exposição a conteúdos impróprios. Em outro momento, o cyberbullying foi o tema debatido com os estudantes. Já no mês do “Setembro Amarelo”, a escola promoveu uma ação voltada à valorização da vida, destacando a importância do diálogo e da saúde emocional como formas de prevenção.
 

Impacto social e emocional
 

A importância da iniciativa é reforçada por dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, divulgada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Segundo o levantamento, 20% dos jovens entre 11 e 17 anos tiveram contato com conteúdo adulto na internet, e apenas 57% sabem identificar se um site é confiável.
 

Segundo Carine, os impactos do uso descontrolado das telas vão além da segurança digital. “O uso excessivo das telas e o contato com conteúdo impróprio podem comprometer o desenvolvimento emocional, a socialização, a empatia e a autoestima, além de favorecer comportamentos de dependência tecnológica, reforçando condutas de isolamento”, explica.
 

Ao final do projeto, a equipe pedagógica observou mudanças positivas no comportamento dos estudantes, que passaram a utilizar os jogos digitais de maneira mais consciente, priorizando interações com colegas conhecidos e demonstrando maior interesse por brincadeiras tradicionais, leitura e uso do livro físico. Além disso, houve um aumento na valorização de atividades ao ar livre e da convivência social, aspectos que contribuíram para o equilíbrio emocional e a redução do tempo de tela.
 

Carine ressalta que a construção de um ambiente digital mais seguro é uma responsabilidade compartilhada entre escola, famílias e plataformas tecnológicas. “Orientar sobre riscos, estabelecer limites, acompanhar o acesso e incentivar alternativas fora das telas são ações contínuas e essenciais para garantir uma experiência digital mais segura para as crianças”, conclui a educadora.

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