O SescTV exibe, em março, novos episódios da série de animação O Menino que Engoliu o Sol, dirigida por Patrícia Alves Dias. Produzida em 2020, com 13 capítulos de sete minutos, a obra — inspirada no livro homônimo de Ricardo Pieretti Câmara, no universo poético de Manoel de Barros e no mito do fogo do povo indígena Guató — acompanha a infância de Manoel no Pantanal, onde natureza, imaginação e afeto se entrelaçam como aprendizado.
Com narração de Ney Matogrosso, a série foi a única representante brasileira finalista do Japan Prize 2020, tradicional premiação internacional dedicada a conteúdos educativos criada em 1965. A produção constrói uma delicada reflexão sobre o medo do escuro e o desejo de iluminar a noite, transformando o quintal, os bichos e o silêncio em uma poesia visual.
No quinto episódio, “Ácó Tóherá” (7/3), o narrador conta que, antes de ir para a escola, Manoel guardava “bem guardada” a cor azul. À tarde, brincava de “ficar de árvore”, em um exercício de quietude e escuta. Mas a noite roubava o som do menino e o medo chegava. Donana afirma que “a gente é o que come”, e Manoel passa a desejar comer luz.
Em “Ákó Céne Kaéka I-rá” (14/3), sexto episódio, o quintal se transforma em pista de corrida. Manoel e seus amigos bichos e pássaros disputam velocidade entre voos e tropeços. O menino inventa palavras para que o dia não adormeça e permaneça iluminado. Pergunta à avó qual é a coisa que mais brilha, como quem busca um antídoto contra a escuridão.
O sétimo capítulo, “Aco Dúni Kaéka I-rá” (21/3), apresenta um Manoel que coleciona o silêncio dos dias quentes. A cerca do quintal tem “altura de andorinhas”, e são elas que o levam até o sol. Ao entardecer, as cercas parecem perseguir a claridade que se despede. À noite, o menino insiste: quer comer sol. Donana responde com a sabedoria de quem conhece o tempo das coisas: “não se come sol. Sol queima”.
Encerrando o mês, “Aco Cúmu Kaéka I-rá” (28/3) mostra o amanhecer como ritual coletivo. Manoel e todos os seres do lugar fazem poesia: sapos e bichos engolem a aurora, o sol se instala sobre a casa e as palavras circulam como se o mundo falasse consigo mesmo. Ainda assim, quando a noite retorna, o menino mantém a vontade de guardar um pedaço de sol para iluminar o escuro. O gesto, insistente, é a própria metáfora da série: crescer é aprender a conviver com a sombra sem abrir mão da luz.
Ao adaptar o Pantanal como território sensível da infância, O Menino que Engoliu o Sol reafirma o compromisso do SescTV com produções que reconhecem a inteligência do público infantil e dialogam com adultos pela via da delicadeza. Entre quintais, rios e silêncios, a série transforma o medo em pergunta e a imaginação em resposta possível.
SERVIÇO
O MENINO QUE ENGOLIU O SOL
Direção: Patrícia Alves Dias
Narração: Ney Matogrosso
Brasil, 2020, 13 episódios de 7 minutos
Classificação indicativa: Livre
Exibição na TV: sábados, às 10h
Reapresentações: domingos, 17h30; segundas, 15h; terças, 9h; quintas, 18h15
Episódios de março
07/03 – Ácó Tóherá (Ep. 05)
14/03 – Ákó Céne Kaéka I-rá (Ep. 06)
21/03 – Aco Dúni Kaéka I-rá (Ep. 07)
28/03 – Aco Cúmu Kaéka I-rá (Ep. 08)
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