Descubra quanto de Mata Atlântica existe em você!
Início » De volta à floresta: como o resgate de animais silvestres ajuda a salvar a biodiversidade brasileira

De volta à floresta: como o resgate de animais silvestres ajuda a salvar a biodiversidade brasileira

Descubra quanto de Mata Atlântica existe em você!

Animais silvestres resgatados, seja do tráfico ilegal, vítimas de maus-tratos ou de entregas voluntárias, são um tópico primordial para a preservação da biodiversidade brasileira. A saída massiva de espécies de seus habitats naturais pode trazer fortes impactos aos ecossistemas, contribuindo com o processo de extinção e gerando um desequilíbrio ecológico importante. Com uma taxa de 100% de solturacerca de 500 aves, o Instituto de Pesquisa da Biodiversidade (IPBio), atua no resgate desses animais e mostra como o trabalho pode ajudar a virar o jogo.
 

Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) revelam que cerca de 38 milhões de animais são retirados ilegalmente da natureza brasileira todos os anos. O biólogo e especialista em readaptação e soltura de espécies do IPBio, Isaías Santos, explica que, embora essa seja a causa primária, não é a única: “maus-tratos e entrega voluntária também contribuem com essa situação. Por isso, buscamos sempre acolher esses animais, independentemente do motivo, até seu retorno para a natureza”.

Com foco nas aves (um dos grupos mais traficados no país), o IPBio desenvolve um trabalho de acolhimento no Centro de Soltura de Aves. “Os pássaros resgatados, geralmente, estão com a saúde comprometida devido ao confinamento extremo e à alimentação inadequada. O caminho de volta à natureza é complexo e cuidadoso”, diz o especialista.

É um trabalho conjunto com centros de reabilitação. Depois do resgate, o animal passa por uma triagem para avaliar seu estado, são realizados exames, reintrodução alimentar e fortalecimento físico. Apenas os pássaros considerados aptos seguem para o Centro de Soltura do IPBio, e realizam o processo em quarentena, sendo novamente avaliados antes da libertação. Após a soltura, mantemos o monitoramento, pois em alguns casos, eles precisam receber alimentação complementar até que possam se sustentar de forma independente”, conta.

Apesar de eficaz, o processo de reinserção pode enfrentar desafios significativos, como o monitoramento em ambiente denso de vegetação, já que todos os animais voltam à natureza respeitando suas origens. As aves são soltas em locais de mata fechada, que exigem equipamentos especiais, como lentes de longo alcance e altíssima qualidade, para serem acompanhadas pós-soltura.

O trabalho é intenso, mas os resultados trazem esperança. O IPBio faz esse trabalho desde 2013 e, até o momento, 500 pássaros retornaram à natureza com sucesso. Isso é reflexo do conhecimento dos cuidados especiais e da excelência técnica de toda a equipe. “Cada animal devolvido ao seu ecossistema é uma vitória para a preservação das espécies, o que nos deixa muito felizes. Todo o esforço tem sido recompensado”, comemora o biólogo.
 

O melhor combate é a conscientização
 

Para o especialista, o ideal é que o problema seja combatido na fonte, para que o processo de reabilitação e soltura seja utilizado apenas em raros casos acidentais e, para isso, ele aponta um caminho: “a melhor ferramenta de combate é a conscientização, por meio da educação ambiental. Precisamos sensibilizar a população sobre os impactos da ação humana na saúde dos animais e, consequentemente, na biodiversidade do nosso país. É preciso desencorajar a domesticaçãoa compra e o tráfico de animais silvestres e fortalecer institutos, como o IPBio, que atuam fortemente nessa causa. Afinal, mais do que salvar animais, as ações protegem ecossistemas inteiros”, finaliza.

Descubra quanto de Mata Atlântica existe em você!
PARTICIPE DO REDE AGORASP
PARTICIPE DO REDE AGORASP
Recebendo notícias, participando, enviando conteúdos com fotos e vídeos.