Para marcar o Dia dos Professores, a Rede Nacional de Ciência para a Educação (Rede CpE) entrega no sábado (17) o Prêmio Rede CpE na Sala de Aula. Os premiados são Luziene Rosa Sobreira das Chagas, do Rio de Janeiro, Alef Bruno dos Santos, da Paraíba, e Maria Raquel Souza dos Santos, de Manaus. Os docentes apresentaram experiências criativas em alfabetização, educação ambiental e sustentabilidade nas escolas. A cerimônia de premiação será durante o IX Encontro Anual da Rede CpE, realizado nos dias 16 e 17 de outubro, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.
Com o tema “Sustentabilidade Social e Ciência para Educação”, o Prêmio Rede CpE na Sala de Aula avaliou iniciativas de diferentes regiões do país. Durante a etapa de inscrições, professores foram convidados a compartilhar suas experiências por meio de um vídeo curto de até 2 minutos. Os ganhadores recebem prêmio de R$ 5.000 e financiamento para participar do IX Encontro Anual da Rede CpE. Além dos três projetos vencedores, os vídeos dos demais dez finalistas serão apresentados nos dois dias do encontro.
Conheça os professores premiados
Professora do 1º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Maria Quitéria, em Bangu, no Rio de Janeiro, Luziene Rosa Sobreira das Chagas criou a “Alfabetização Divertida: Práticas Docentes na Contemporaneidade”, prática que envolve músicas, vídeos e jogos pedagógicos. Para apresentar as letras e seus sons, Luziene recorre a fantasias e já se vestiu, por exemplo, de Batman, Mulher-Maravilha e Xuxa.
“Apresentei o nome e os sons das letras com músicas infantis, vídeos animados no YouTube e jogos pedagógicos escolhidos por eles para apresentar o grupo silábico de cada letra. A letra B era representada pelo Batman, então me vesti do super-herói para mostrar que a junção da consoante B com a vogal A faz ‘BA’, com a vogal E faz ‘BE’ e assim por diante”, explica Luziene no vídeo enviado à premiação.
A prática, que combina evidências da ciência da leitura com atividades lúdicas e recursos visuais, leva em conta também aspectos socioemocionais dos alunos. Em 2023 e 2025, 100% dos alunos de Luziene foram alfabetizados, incluindo estudantes neurodivergentes.
“Alfabetizar a criança na idade certa é primordial para reduzirmos as desigualdades sociais, sobretudo em uma realidade em que muitos alunos já precisaram se esconder no cantinho da leitura por causa de tiroteios e explosões de granadas”, explica a professora.
Da primeira infância ao ensino médio: educação ambiental e sustentabilidade
Em Caraúbas, localizada no Cariri paraibano, o professor Alef Bruno dos Santos, da Escola Cidadã Integral Serveliano de Farias Castro, desenvolveu com estudantes do 3º ano do ensino médio o projeto “Sociobiodiversidade e Culturas Vivas: Solução Sustentável para Captação e Filtração da Água da Chuva”. A iniciativa surgiu a partir da escassez hídrica vivenciada pela comunidade. O professor então incentivou os estudantes a investigar o problema e a desenvolver um protótipo de telhado, capaz de captar e direcionar a água da chuva para um sistema de filtragem e armazenamento. A proposta combina materiais acessíveis, conhecimentos científicos e saberes tradicionais.
“Desenvolvemos um telhado em V, que é mais eficiente para a captação de água, que então é direcionada para um filtro, com camadas de pano, cascalho, areia, carvão e algodão. Após a filtragem, ela é armazenada para ser utilizada”, explica Heberth Farias, um dos alunos envolvidos no projeto. “Se esse sistema for usado de verdade, pode melhorar a vida de pessoas que sofrem com a falta de água”, comenta Elen Manoele, outra aluna participante.
O professor explica que a proposta também foi pensada para envolver a comunidade em diferentes etapas do projeto. “Os estudantes conversaram com familiares e moradores sobre o tema e, ao longo do processo, compartilharam as ações desenvolvidas. Depois, os protótipos foram apresentados para outras turmas, professores e equipe gestora. O projeto também será apresentado em uma feira aberta à comunidade”, explica Alef.
Em Manaus, a professora Maria Raquel Souza dos Santos, da Creche Municipal Magdalena Arce Daou, desenvolveu o projeto “Da QueiMATA ao Reflorestar: Mudanças Climáticas, Infâncias Periféricas e Propostas para Adiar o Fim do Mundo”. A iniciativa leva a educação ambiental para a primeira infância por meio do plantio de mudas nativas e coleta de resíduos recicláveis, envolvendo também crianças com deficiência e suas famílias. O projeto já teve ações em parceria com universidades, secretarias municipais e outras organizações, envolvendo cerca de 5 mil pessoas.
“Fizemos o plantio de aproximadamente 300 mudas nativas na orla do Igarapé do Quarenta [um dos igarapés da cidade], que se somam às cerca de 15 mil mudas de árvores plantadas no território metropolitano de Manaus. Fizemos ainda o recolhimento de aproximadamente 15 mil tampinhas e mais de 8 mil garrafas PET. No fim, preparamos um livro autoral do projeto e um jardim sensorial”, explicou a professora Maria Raquel.









