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Vestibular 2027: conheça os livros obrigatórios cobrados pela Fuvest e Unicamp e dicas de estudo

Descubra quanto de Mata Atlântica existe em você!

A leitura das obras literárias obrigatórias segue sendo uma das etapas mais importantes e desafiadoras da preparação para os vestibulares da Fuvest, que dá acesso à Universidade de São Paulo (USP), e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); dois dos mais concorridos do Brasil, realizados tradicionalmente entre outubro e dezembro. A cada edição, as listas de livros propõem um diálogo entre diferentes épocas, estilos e contextos sociais, exigindo dos candidatos não apenas a leitura integral, mas também uma compreensão crítica e contextualizada.

Do ponto de vista pedagógico, a presença dessas obras nos vestibulares não apenas amplia o repertório cultural dos estudantes, como também antecipa temas, problemáticas e reflexões que costumam aparecer nas próprias provas. Ao entrar em contato com esses textos, os alunos têm a oportunidade de aprofundar discussões históricas, sociais, políticas e humanas que frequentemente fundamentam as propostas dissertativas e as questões interdisciplinares.

Segundo Paulo Rogerio Rodrigues, coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo/SP, trata-se, portanto, de uma oportunidade valiosa para ampliar o repertório sociocultural e, com isso, qualificar a análise crítica dos temas propostos. “Além disso, o trabalho com obras literárias permite o desenvolvimento e o treino de habilidades essenciais, como interpretação de textos, leitura simbólica, identificação de recursos de linguagem e, sobretudo, a transferência de aprendizagens para a produção escrita, competência central nas redações e questões discursivas”, avalia.

“A literatura permite que o estudante exercite a empatia, compreenda diferentes visões de mundo e aprofunde sua capacidade de leitura crítica, algo indispensável não só para o vestibular, mas para a formação cidadã”, acrescenta Rodrigues.
 

Embora a lista de livros possa parecer extensa à primeira vista, o planejamento é o principal aliado para dar conta da leitura até o período das provas. Com organização e constância, é possível distribuir as leituras ao longo do ano, conciliando-as com o estudo das demais disciplinas que caem nas provas. “Quando o estudante começa a preparação cedo e estabelece metas realistas, a leitura deixa de ser um peso e passa a fazer parte da rotina de estudos. O segredo está em não deixar tudo para os últimos meses”, orienta o coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP, Henrique Barreto Andrade Dias.
 

Para estudar essas obras literárias de forma eficiente, algumas estratégias práticas fazem toda a diferença. Uma delas é o fichamento, que consiste em registrar informações importantes durante a leitura, como temas centrais, personagens, trechos marcantes, símbolos e relações com o contexto histórico. Além disso, reler passagens-chave, assistir a aulas de apoio, participar de grupos de leitura e relacionar os livros entre si ajudam a aprofundar a compreensão. “O estudante não deve ler de forma passiva. É fundamental dialogar com o texto, levantar hipóteses e fazer conexões”, destaca o professor de Língua Portuguesa da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri/SP, Thiago Silverio Barbosa.
 

Nas provas da Fuvest e da Unicamp, os livros costumam aparecer de maneira interpretativa e contextualizada, seja por meio de trechos, seja em questões que exigem a compreensão de temas, estilos literários, vozes narrativas e relações com outros textos ou áreas do conhecimento. Por isso, decorar resumos não é suficiente. “Para acertar as questões, o candidato precisa entender a obra como um todo, reconhecer suas marcas principais e saber interpretar o que o texto sugere, grande parte das vezes de forma implícita”, afirma Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas/SP.
 

LIVROS OBRIGATÓRIOS DO VESTIBULAR FUVEST 2027
 

A lista de nove obras obrigatórias desde o vestibular 2027 é composta exclusivamente por autoras mulheres da literatura em língua portuguesa, buscando valorizar diferentes perspectivas, ampliar a representatividade e fomentar reflexões sobre o papel feminino na literatura e na sociedade. Autores homens voltarão a ser incluídos no certame em 2028.
 

A Paixão Segundo G. H. (1964), de Clarice Lispector
 

O livro conta, através de um enredo banal, o pensar e o sentir de G.H., a protagonista-narradora que despede a empregada doméstica e decide fazer uma limpeza geral no quarto de serviço, que ela supõe imundo e repleto de inutilidades. Após recuperar-se da frustração de ter encontrado um quarto limpo e arrumado, G.H. depara-se com uma barata na porta do armário. Depois do susto, ela esmaga o inseto e decide provar seu interior branco, processando-se, então, uma revelação. G.H. sai de sua rotina civilizada e lança-se para fora do humano, reconstruindo-se a partir desse episódio.
 

Clarice Lispector (Ucrânia, 1920 – Rio de Janeiro/RJ, 1977) é considerada um dos maiores nomes da literatura brasileira, e hoje é amplamente traduzida e divulgada. Buscou a universalidade e a prospecção do próprio interior, produzindo uma literatura de excelência incontestável e estilo inimitável. Sua obra inclui também livros para o público infantojuvenil e um vasto número de crônicas.
 

A Visão das Plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida
 

Conta a história de capitão Celestino, homem cujo passado de brutalidade e violência assombrosas é substituído, no crepúsculo da vida, por um amor delicado e cuidadoso pelas plantas de seu jardim. De volta a Portugal, e com a consciência pesada pelas monstruosidades que cometeu, o capitão retorna à casa de sua infância. Na vizinhança, as pessoas conhecem seus malfeitos, então poucos se atrevem a se aproximar. Somente o padre Alfredo é um visitante regular: quer levar o homem para se confessar, mas o único assunto que interessa a Celestino é mesmo o esplendor de seu roseiral.
 

Djaimilia Pereira de Almeida (Angola, 1982) mudou-se para Portugal ainda criança, lugar onde cresceu e vive até hoje. Doutora em Estudos Literários pela Universidade de Lisboa, a escritora é reconhecida por tratar de forma poética e crítica temas como identidade, memória, raça, colonialismo e pertencimento.
 

Balada de Amor ao Vento (1990), de Paulina Chiziane
 

Primeiro romance publicado por uma mulher em Moçambique, o livro conta a história de amor de Sarnau e Mwando. Ela se apaixona de corpo e alma, ele a abandona. Ela luta para sobreviver à solidão, ele retorna – antes de partir mais uma vez. Eles se envolvem em uma história de amor que tem a relva como cenário e o vento como melodia, mas uma herança conservadora entre os dois. Em um relato poético e quase espiritual de Sarnau, acompanhamos os encontros e desencontros, as escolhas e as renúncias, o desamparo e o privilégio de uma sociedade onde certas tradições afetam diretamente a autonomia da mulher e sua sobrevivência.
 

Paulina Chiziane (Moçambique, 1955) foi a primeira mulher africana a ganhar um Prêmio Camões, em 2021, considerado o prêmio de maior importância na literatura de língua portuguesa. A autora apresenta em suas obras um panorama cultural, histórico e político de seu país, com foco nas mulheres moçambicanas. Questões como a experiência feminina, o racismo e o colonialismo são pontos centrais em seus textos.
 

Caminho de Pedras (1937), de Rachel de Queiroz
 

Na Fortaleza dos anos 1930, durante a Era Vargas, Roberto tem a missão de recrutar operários para uma nova célula de esquerda. Uma das pessoas que se interessam é Noemi: mãe de Guri e casada com um homem que não ama mais, ela está em busca de algo que a faça se sentir viva. Nas reuniões do partido, Noemi e Roberto desenvolvem uma conexão intelectual intensa, que os leva a um caso amoroso. Ela se vê, então, testando novos limites morais e éticos, tanto no campo do amor quanto no da política. A obra revela a força de uma mulher que decide seguir seus desejos, mesmo que isso implicasse um divórcio. Numa sociedade em que a mulher deveria desempenhar exclusivamente os papéis de mãe, esposa e dona de casa, Noemi é tanto infratora quanto heroína da própria história, pois a punição que sabia que enfrentaria não foi o suficiente para convencê-la a continuar num casamento sem amor.
 

Rachel de Queiroz (Fortaleza/CE, 1910 – Rio de Janeiro/RJ, 2003) foi escritora, jornalista, tradutora e dramaturga brasileira, a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Sua obra tem raízes autobiográficas e aborda temas como a emancipação feminina, e questões sociais como a seca, a miséria e a luta pela sobrevivência do povo nordestino.
 

Canção para Ninar Menino Grande (2018), de Conceição Evaristo
 

A obra é um mosaico afetuoso de experiências negras, um canto amoroso e dolorido. Na figura do personagem Fio Jasmim, a autora discute com maestria as contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras. O livro é um mergulho na poética da escrevivência e ao mesmo tempo um tributo ao amor sob sob uma ótica raramente explorada na literatura brasileira.
 

Conceição Evaristo (Belo Horizonte/MG 1946) é romancista, contista, poeta e pesquisadora na área de literatura comparada. Estreou na literatura em 1990, e é um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Sua matéria-prima literária é a vivência das mulheres negras, e seu trabalho tem por base reflexões sobre as profundas desigualdades raciais brasileiras.
 

Geografia (1967), de Sophia de Mello Breyner Andresen
 

Coletânea de poesias, inspirada em uma viagem da autora portuguesa à Grécia, que apresenta temas da natureza purificadora em oposição à cidade, a casa, a infância e as pessoas das quais a escritora se recordava. Nas palavras de alguns críticos, o livro disputa com os famosos versos de Virgílio, maior poeta da Roma Antiga.


Sophia de Mello Breyner Andresen (Porto, 1919 – Lisboa, 2004) foi uma das maiores vozes da poesia do século 20. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, a autora evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias. Seus livros estão traduzidos em várias línguas, tendo recebido o Prêmio Camões em 1999. Foi opositora do regime salazarista, eleita para a Assembleia Constituinte portuguesa de 1975 e, após seu falecimento, foram-lhe concedidas honras de Estado, tendo seus restos mortais trasladados para o Panteão Nacional de Portugal.
 

Memórias de Martha (1899), de Julia Lopes de Almeida
 

Narrado em primeira pessoa, o livro é uma autobiografia ficcional da jovem Martha. Órfã de pai, vê-se, junto à mãe, relegada à pobreza de um cortiço no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Durante seu crescimento como mulher, encontra na educação a única chance de escapar de sua sina. As constantes preocupações da mãe, que aconselha a filha a aprender os afazeres domésticos para que possa se sustentar depois da morte desta, enquanto a menina vislumbra a ascensão por meio da carreira de professora, evidenciam as transformações do papel social da mulher no fim do século XIX. Destaca-se a preocupação da autora em dar voz a uma protagonista feminina e em ressaltar sua importância para a sociedade. É uma obra essencial para a compreensão da emancipação da mulher em nossa sociedade.
 

Júlia Valentina da Silveira Lopes de Almeida(Rio de Janeiro, 1862 – Rio de Janeiro, 1934) foi uma escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira. Atuou como colaboradora em diversos periódicos nacionais — uma atividade ainda incomum para mulheres em sua época — sempre defendendo causas relevantes, como a abolição da escravidão, a proclamação da República, o direito ao divórcio, a educação formal das mulheres e os direitos civis. Foi a única mulher entre os idealizadores da Academia Brasileira de Letras, embora tenha sido impedida de ocupar uma cadeira na instituição, que, à época, optou por manter sua composição exclusivamente masculina, seguindo o modelo da Academia Francesa.
 

Nebulosas (1872), de Narcisa Amália
 

A obra apresenta 44 poemas cujos temas transitam entre a mulher, a natureza e a crítica social abolicionista. Recebeu grande destaque à época de seu lançamento pelo fato, incomum naqueles tempos, de sua autora ser uma mulher. O livro, que é o único publicado pela poetisa, foi suficiente para que a autora alcançasse o reconhecimento público de figuras ilustres como Machado de Assis e o imperador Dom Pedro II.
 

Narcisa Amália (São João da Barra/RJ, 1852 – Rio de Janeiro/RJ, 1924) foi tradutora, poetisa, escritora, crítica literária, professora e a primeira mulher a atuar profissionalmente no jornalismo brasileiro. Filha de um poeta e de uma professora primária, teve uma sólida formação intelectual e defendeu com afinco as causas do feminismo, do abolicionismo e do republicanismo.
 

Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta
 

Coletânea de 62 artigos, à época publicados em jornais impressos, cujos temas giram em torno da condição feminina e, principalmente, da importância da educação da mulher, vista pela autora como condição essencial para a superação da inferioridade feminina e para o progresso social.
 

Nísia Floresta Brasileira Augusta (Papari/RN, 1810 – França, 1885) foi educadora, escritora, positivista e emancipacionista. Foi uma das primeiras brasileiras a romper os limites dos espaços dedicados à mulher, dirigindo escolas (tendo fundado um colégio voltado à educação de moças, com propostas pedagógicas avançadas para a época, as quais proporcionavam às alunas uma educação bem próxima à dos meninos) e publicando livros e artigos de conteúdo filosófico e político na imprensa nacional. Em seus escritos, defendia ideais libertários em relação às mulheres, aos negros e aos indígenas. Grande parte de seus textos voltava-se à condição feminina e à reivindicação de que as mulheres tivessem acesso às mesmas oportunidades que os homens, principalmente em relação à educação.
 

LIVROS OBRIGATÓRIOS DA UNICAMP 2027
 

O vestibular da Unicamp também cobra todos os anos uma lista de obras literárias obrigatórias. Entre os nove títulos selecionados estão clássicos e obras contemporâneas que dialogam com diferentes tradições, estilos e gêneros.
 

A vida não é útil (2020), de Ailton Krenak
 

Em reflexões provocadas pela pandemia de covid-19, o pensador e líder indígena aponta as tendências destrutivas da chamada “civilização”: consumismo desenfreado, devastação ambiental e uma visão estreita e excludente do que é a humanidade. A obra reúne cinco textos adaptados de palestras, entrevistas e lives realizadas entre novembro de 2017 e junho de 2020, com pesquisa e organização de Rita Carelli.
 

Ailton Krenak (Itabirinha/MG, 1953) é um dos mais influentes pensadores da atualidade, e vem trazendo contribuições fundamentais sobre os principais desafios que se apresentam hoje no mundo. Dirige sua crítica à ideia “de que a economia não pode parar” e aos “consumidores do planeta”, além de questionar a própria ideia de sustentabilidade.
 

Canções escolhidas, de Paulo César Pinheiro
 

Canções escolhidas: “Canto das três raças” (com Mauro Duarte), “Cordilheira” (com Sueli Costa), “Desenredo” (com Dori Caymmi), “​Estrela da terra” (com Dori Caymmi), “Evangelho” (com Dori Caymmi), “Mordaça” (com Eduardo Gudin), “​Na volta que o mundo dá” (com Vicente Barreto), “Navio fantasma” (com Francis Hime), “O dia em que o morro descer e não for carnaval” (com Wilson das Neves), “Pesadelo” (com Maurício Tapajós), “Velho arvoredo” (com Hélio Delmiro), “Vento bravo” (com Edu Lobo), “Viagem” (com João de Aquino) e “Vontade de chorar” (com Ivor Lancelotti).
 

Paulo César Francisco Pinheiro (Rio de Janeiro/RJ, 1949) é compositor, teatrólogo, escritor, e um dos maiores poetas nacionais, consagrado como um dos mais importantes letristas da música popular brasileira, sobretudo no samba.
 

Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis
 

O finado Brás Cubas decide contar sua história por uma ótica bastante inusitada: em vez de começar pelo seu nascimento, sua narrativa inicia-se pelo óbito. Enquanto rememora as experiências que viveu, o defunto-autor narra as suas desventuras e revela as contradições da sociedade brasileira do século XIX, por meio de uma análise aprofundada de seus personagens. O livro retrata o período do Brasil Império, especialmente a elite burguesa do Rio de Janeiro, marcada por mudanças sociais e ascensão de novos valores.
 

Machado de Assis (Rio de Janeiro/RJ, 1839 – Rio de Janeiro/RJ, 1908) foi jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. É considerado o maior escritor da literatura brasileira. Seus livros têm como principal característica o diálogo entre o autor e o leitor, com uso de ironia e humor, explorando os aspectos psicológicos dos personagens para criticar os costumes da sociedade brasileira da época.
 

Morangos mofados (1982), de Caio Fernando Abreu
 

Obra mais célebre do autor, o livro faz transbordar de cada página a angústia, o desassossego e o estilo confessional que o consolidaram como uma das vozes mais combativas e radicais de sua época. A prosa visceral dos dezoito contos contidos na obra é potencializada pela hesitação coletiva de um país que vislumbrava a redemocratização ante a falência incipiente do regime militar. Traduzindo as inconstâncias humanas mais profundas, o livro continua, ainda hoje, arrebatando leitores de todas as gerações. Para a prova, a banca organizadora elencou seis contos: “Diálogo”, “Além do Ponto”, “Terça-Feira Gorda”, “Pêra, uva ou maçã?”, “O dia em Júpiter encontrou Saturno” e “Aqueles dois”.
 

Caio Fernando Abreu (Santiago do Boqueirão/RS, 1948 – Porto Alegre/RS, 1996) foi escritor, dramaturgo e jornalista, tendo passagens nas funções de repórter, crítico e cronista, por veículos de comunicação como as revistas Claudia, Veja e Manchete, e os jornais Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha da Manhã. Publicou em vida 10 livros entre contos, novelas e romances, além de uma vasta produção para teatro. Ganhou vários prêmios, entre eles o Jabuti. É considerado um dos grandes escritores brasileiros de todos os tempos.
 

No seu pescoço (2017), de Chimamanda Ngozi Adichie
 

Os doze contos que compõem o livro trazem a sensibilidade da autora, voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, a autora nigeriana parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona ao leitor a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.
 

Chimamanda Ngozi Adichie (Nigéria, 1977) é feminista e uma das principais escritoras contemporâneas da literatura internacional. Ao trabalho de ficcionista, ela realiza uma expressiva militância em favor da igualdade de gêneros e raça. Venceu os prêmios National Book Critics Circle Award e o Orange Prize de ficção, e atingiu o topo das listas de mais vendidos dos Estados Unidos, onde vive atualmente.
 

Olhos d’água (2014), de Conceição Evaristo
 

Coletânea de 15 contos em que a autora foca seu interesse na população afro-brasileira abordando, sem meias palavras, a pobreza e a violência urbana que a acometem. Sem sentimentalismos, mas sempre incorporando a tessitura poética à ficção, seus contos apresentam uma significativa galeria de mulheres: Ana Davenga, a mendiga Duzu-Querença, Natalina, Luamanda, Cida, a menina Zaíta. Elas diferem em idade e em conjunturas de experiências, mas compartilham da mesma vida difícil, evocando dilemas sociais, sexuais e existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição.
 

Conceição Evaristo (Belo Horizonte/MG 1946) é romancista, contista, poeta e pesquisadora na área de literatura comparada. Estreou na literatura em 1990, e é um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea. Sua matéria-prima literária é a vivência das mulheres negras, e seu trabalho tem por base reflexões sobre as profundas desigualdades raciais brasileiras.
 

Os funerais da Mamãe Grande (1962), de Gabriel García Márquez
 

Os oito contos do livro misturam o trivial e o fantástico, a trágica monotonia da vida de aldeia Macondo cortada por relâmpagos de fatalidade que jogam luz inesperada e estranha sobre a alma das pessoas – com a densa humanidade e a mestria artística do grande escritor colombiano. O autor faz uma viagem sentimental por sua cidade natal, sem deixar de lado um olhar crítico sobre a sofrida realidade social, a pobreza da terra e o domínio dos coronéis.
 

Gabriel García Márquez (Colômbia, 1927 – México, 2014), também conhecido como Gabo, começou seu trabalho de jornalista em 1949, atuando em diversos jornais, inclusive como correspondente internacional em Nova York para o jornal El Espectador. Mas foi na ficção que ele alcançou reconhecimento internacional, sendo considerado um mestre do realismo mágico latino-americano. Em 1982, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de sua obra.
 

Prosas seguidas de Odes mínimas (1992), de José Paulo Paes
 

Marcado pela lucidez, ironia, concisão verbal e aversão ao sentimentalismo, a obra percorre os principais temas que compõem a obra de José Paulo Paes, um dos principais nomes da literatura brasileira do século XX. Entre outros motes, os poemas abordam o amor, a força da memória, a proximidade da morte e a crítica política — com alguma descrença, mas também com intenso lirismo e uma boa dose de experimentação formal.
 

José Paulo Paes nasceu (Taquaritinga/SP 1926 – São Paulo/SP, 1998) estudou química industrial em Curitiba, onde publicou seu primeiro livro de poemas, em 1947. Trabalhou em um laboratório farmacêutico e em uma editora, aposentando-se para poder dedicar-se inteiramente à literatura. Pesquisador, tradutor, ensaísta e poeta, também foi colaborador regular na imprensa literária. Traduziu poetas e prosadores de várias línguas, entre os quais Konstantin Kaváfis, Laurence Sterne, Hoelderlin e Paladas de Alexandria.
 

Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919), de Lima Barreto
 

O livro tece uma biografia do personagem Gonzaga de Sá; um homem de letras que fugiu de ser doutor. Por meio do texto, transparece o comportamento da aristocracia do Rio de Janeiro do começo do século XX, além dos diversos problemas sociais que afligiam o próprio autor. Trata-se de um dos livros menos conhecidos do escritor, e consequentemente pouco lido e estudado, apesar de ser um dos romances mais interessantes da literatura brasileira do início do século XX, haja vista o caráter inovador de sua narrativa, que rompe com os padrões convencionais do realismo do século XIX, ainda dominantes na prosa brasileira do período.
 

Afonso Henriques de Lima Barreto (Rio de Janeiro/RJ, 1881 – Rio de Janeiro/RJ, 1922) foi um jornalista e escritor brasileiro. Filho de pais negros, ele cresceu em um Brasil recém-saído da escravidão, mas ainda profundamente marcado pelo racismo e pela exclusão social. Por meio da literatura, foi uma das vozes mais contundentes ao denunciar como o preconceito e a desigualdade continuaram estruturando a sociedade brasileira após a abolição da escravatura. Publicou romances, sátiras, contos, crônicas e uma vasta obra, principalmente em revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX.
 

Os especialistas
 

Fernanda Silveira é pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).
 

Henrique Barreto Andrade Dias é licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
 

Paulo Rogerio Rodrigues é coordenador pedagógico da Escola Bilíngue Aubrick. Profissional com larga trajetória na educação básica com foco na gestão pedagógica e educacional desde a Educação Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental 2, com MBA em Gestão Escolar e especialização em Educação Antirracista, Bilinguismo e Neuropsicologia.
 

Thiago Silvério Barbosa é mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde atuou como bolsista CAPES, e graduado em Letras pela mesma instituição. Com 16 anos de experiência docente, atualmente leciona Língua Portuguesa e Convivência Ética na Escola Internacional de Alphaville. Sua trajetória é marcada pela versatilidade pedagógica, incluindo passagens por cursos pré-vestibulares e preparatórios para o Enem. No campo da pesquisa, integra o grupo “Psicanálise e Teoria Crítica: Teorias da Subjetivação” (CEBRAP/Núcleo Direito e Democracia). Complementando sua formação interdisciplinar, possui especialização em Psicanálise e Análise do Cotidiano pela PUC-SP, além de formação clínica em Psicanálise.
 

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