| O combate à evasão escolar passou a exigir mais do que controle de frequência e reforço pedagógico. Diante de um cenário de desengajamento crescente entre estudantes, escolas públicas e privadas começam a apostar em estratégias que tornam o aprendizado mais participativo, interativo e conectado à realidade dos alunos. Entre elas, gamificação e inteligência artificial vêm ganhando espaço como ferramentas capazes de aumentar o engajamento e fortalecer a permanência dos estudantes na escola. O tema segue como um desafio importante para a educação brasileira. Dados do UNICEF apontam que quase 1 milhão de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos ainda estão fora da escola no país. Entre 2017 e 2025, mais de 300 mil estudantes em situação de evasão ou risco de abandono conseguiram retornar às salas de aula por meio de iniciativas de busca ativa escolar. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que apenas garantir acesso à escola já não é suficiente. O grande desafio agora está em manter os alunos conectados ao processo de aprendizagem. A desmotivação, a dificuldade de concentração e a sensação de distanciamento entre o conteúdo escolar e a realidade dos estudantes aparecem entre os fatores que impactam diretamente o interesse pelas aulas, principalmente entre crianças e adolescentes mais expostos ao ambiente digital, segundo Marcelo Brenner, sócio-fundador da Gamefik, plataforma que combina gamificação e inteligência artificial para transformar o aprendizado em experiência colecionável. É nesse contexto que soluções baseadas em gamificação vêm ganhando relevância. A proposta é utilizar mecânicas inspiradas em jogos, como desafios, recompensas, progressão e colecionáveis, para estimular participação, colaboração e senso de pertencimento dentro da jornada educacional. “A evasão, muitas vezes, começa no desengajamento. Quando o aluno deixa de se sentir parte do processo de aprendizagem, o vínculo com a escola enfraquece. A gamificação ajuda justamente a reconstruir essa conexão, tornando o aprendizado mais ativo e interativo”, afirma Marcelo. Segundo a edtech, o uso combinado de inteligência artificial e gamificação permite criar experiências mais personalizadas, acompanhando o desempenho dos alunos em tempo real e adaptando desafios conforme o ritmo de aprendizagem de cada estudante. Além do ganho pedagógico, isso também contribui para aumentar a participação nas atividades e melhorar a experiência em sala de aula. Na prática, a tecnologia transforma tarefas tradicionais em jornadas de evolução, nas quais os estudantes acumulam conquistas, interagem com colegas e acompanham o próprio progresso de forma visual e dinâmica. O modelo conversa diretamente com uma geração acostumada a experiências digitais mais imersivas e imediatas. “O aluno de hoje está inserido em um ambiente altamente conectado e interativo fora da escola. Quando a sala de aula não acompanha essa transformação, o interesse diminui. O desafio da educação atual é competir pela atenção sem perder profundidade pedagógica, e a tecnologia pode ser uma aliada importante nesse processo”, complementa Brenner. Além do impacto no engajamento, o especialista defende que estratégias mais participativas também ajudam a fortalecer competências socioemocionais, colaboração, autonomia e protagonismo dos alunos, fatores considerados essenciais para permanência e desenvolvimento escolar a longo prazo. “A tecnologia sozinha não resolve a evasão escolar, mas pode ser uma ferramenta poderosa para reconstruir o interesse do aluno pela aprendizagem. Quando o estudante se sente protagonista da própria jornada, a conexão com a escola muda completamente”, finaliza o porta-voz da Gamefik. |
Estratégias de engajamento ganham força no combate à evasão escolar no Brasil








