Sinopse:
- Getúlio e a tradição política dos prefeitos;
- Lula e o suprapartidarismo em plena crise do Mensalão;
- Dilma e a retomada da experiência suprapartidária.
- 2022 e o movimento dos “Independentes” em defesa do Estado Democrático;
- 2026 e a ausência, até o momento, de uma estrutura equivalente de prefeitos.
Artigo: – A Memória pode claudicar mas a História ninguém apaga – Dr Hélio
Em 1950, Getúlio Vargas então candidato à Presidente da República utiliza o Largo do Rosário, em Campinas, como espaço de mobilização política presidencial.
Após redemocratização do Brasil, Lula fez comício de campanha presidencial também no Largo do Rosário, em Campinas, em 26 de agosto de 2006, durante a campanha pela reeleição. O Largo do Rosário tinha justamente uma longa tradição como espaço de manifestações políticas e grandes concentrações populares
A imprensa à época 2006 registrou que ele falou para mais de 5 mil pessoas no local, em um dos maiores comícios da campanha.
* 2006 — Lula: em meio à crise do Mensalão, um prefeito do PDT- partido com candidato próprio à Presidência (Cristóvão Buarque), Dr Hélio assume publicamente posição em favor de Lula e participa da construção de uma articulação nacional suprapartidária de prefeitos.
* O apoio do Dr. Hélio a Lula foi anterior ao comício. Em 19 de julho de 2006, portanto mais de um mês antes do comício de Campinas, Lula reuniu-se em Brasília com 75 prefeitos de 11 partidos, para articular apoio suprapartidário à sua reeleição. Entre eles, Dr Hélio – Hélio de Oliveira Santos – Prefeito de Campinas (PDT).
* No dia seguinte, Agência Estado registrou declaração significativa do Dr. Hélio: ele poderia até ser expulso do PDT por apoiar Lula, mas que precisava manter sua coerência. Sua opção por Lula era clara e lembrou que Lula havia apoiado sua candidatura a prefeito em 2004.
2010 — Dilma: a experiência é retomada e Campinas volta a sediar uma mobilização pluripartidária de prefeitos.
Em 1º de julho de 2010, já na campanha presidencial de Dilma Rousseff, o PDT de Campinas organizou o “Movimento Pluripartidário Pró-Dilma Rousseff”, que reuniu 117 prefeitos, sendo 25 do PSDB, 22 do PT, 17 do PDT, 22 do PMDB, além de prefeitos de DEM, PV, PPS, PP e PSB. A Folha de SP registra que o evento foi organizado pelo PDT e que Dilma agradeceu publicamente ao prefeito Hélio de Oliveira Santos. Como consequência política, prefeito do PV, Antonio Belini, acabou sendo licenciado do partido por ter declarado apoio a Dilma naquele ato.
A experiência de 2006 fora a origem de uma estratégia política suprapartidária que Dr. Hélio voltou a utilizar em 2010. * A experiência de 2006, realmente ganhara dimensão nacional.
Dr Hélio no Correio Popular:- “Durante a campanha de reeleição do Lula e durante 1a campanha da Dilma, Campinas foi estratégica. Passei a participar da coordenação de prefeitos de todo o País.”No encontro inicial de julho de 2006, fora expressamente anunciado o início da formação de um movimento nacional e pluripartidário.
2006: nasce uma articulação suprapartidária de prefeitos em apoio à reeleição de Lula, tendo Campinas/Dr. Hélio como um dos polos importantes. Em setembro de 2006, o movimento já era chamado oficialmente de “movimento nacional e suprapartidário dos prefeitos e prefeitas”.
Em resumo:- 2006–2010: essa articulação se amplia nacionalmente.
2010: a experiência é reaproveitada e organizada em favor da candidatura Dilma.
- Campinas um dos centros nacionais da articulação suprapartidária de prefeitos nas campanhas de 2006 e 2010.
- Atuação do Dr. Hélio fora uma posição pessoal/política, não uma iniciativa institucional do PDT. Isso é significativo- PDT tinha Cristovam Buarque como candidato à Presidência.
- Dr. Hélio, prefeito de Campinas pelo PDT, apoiou pessoalmente a reeleição de Lula em 2006, apesar de seu partido ter candidato próprio à Presidência. Participou da articulação suprapartidária de prefeitos e posteriormente assumiu papel de coordenação dessa mobilização no interior paulista e âmbito nacional.
- Por outro lado, a importância política atribuída por Lula ao Dr. Hélio não decorria apenas do tamanho do comício de Campinas, mas do fato de ele ter permanecido ao lado de Lula num momento em que muitos aliados estavam recuando.
2006: o suprapartidarismo teve um peso político especial
O ponto central não era apenas reunir prefeitos. Era fazê-lo no auge do desgaste do governo Lula provocado pelo Mensalão, quando o apoio político ao presidente estava sob forte pressão.
Em 2022, outro momento de excepcionalidade, o apoio de segmentos independentes a Lula teve outra natureza: – Não se estruturou como aquele Movimento Suprapartidário de Prefeitos de 2006 e 2010.
O eixo de mobilização passou a ser a defesa da democracia e do Estado Democrático de Direito, diante da polarização entre Lula e Jair Bolsonaro. E o resultado foi historicamente apertado. Lula venceu o 2o turno por cerca de 1,8%, a menor margem em uma eleição presidencial brasileira até então.
2006 → “prefeitos acima dos partidos”, em defesa da continuidade de Lula.
2022 → “independentes acima dos partidos”, em defesa da democracia e contra a volta de Bolsonaro.
São movimentos diferentes, que ultrapassaram estruturas partidárias tradicionais.
Dr Hélio:- “chegamos a hoje: 16 de agosto de 2026!
Lula iniciou oficialmente sua campanha à reeleição, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo.
A escolha do local foi carregada de simbolismo histórico: – O espaço está associado à trajetória sindical que projetou Lula nacionalmente.
O lema apresentado foi “Brasil pronto para mais” e “Onde tudo começou”.
Uma comparação com 2006 interessante.
Em 2006, a imagem de uma mobilização suprapartidária de prefeitos, construída inclusive em momento de crise política do governo.
Em 2026, a largada construída principalmente em torno da trajetória pessoal, sindical e partidária de Lula, em São Bernardo. Isso não significa que não existam prefeitos de outros partidos apoiando Lula em 2026. Significa que até este momento, não há uma estrutura nacional equivalente àquela articulação de 2006, com prefeitos formalmente reunidos em um movimento suprapartidário em torno da candidatura presidencial.
Um ponto histórico muito forte e que dera certo por duas oportunidades!
O lema apresentado “Brasil pronto para mais”, acompanhado de “Onde tudo começou” é um elemento simbólico importante do movimento sindical-petista, construído em torno da trajetória pessoal, sindical e partidária de Lula, em São Bernardo — mas não um novo Movimento Suprapartidário Nacional de Prefeitos.
Dr Hélio:- Campinas não foi apenas o local de um comício de Lula em 2006; uma peça importante da construção e polo da articulação suprapartidária de prefeitos em favor de sua reeleição. A presença de prefeitos de diferentes partidos — inclusive, ligados ao PSDB demonstrara que não se tratava simplesmente de uma reunião da base petista. Aparece na experiência de 2010: o encontro pró-Dilma realizado em Campinas reuniu prefeitos de vários partidos, inclusive do PSDB. Isso demonstra que havia metodologia política suprapartidária que ultrapassava as alianças eleitorais formais.
Uma frase que pode sintetizar muito bem o significado histórico:- Em 2006, o suprapartidarismo não nasceu da ausência de conflito político; nasceu justamente no meio de uma crise política. Isso é importante porque impede que o movimento seja interpretado apenas como uma aliança eleitoral conveniente.
Posso afirmar, que a participação dos prefeitos como força política suprapartidária tem uma tradição histórica anterior, há 75 anos atrás com a valorização dos prefeitos por Getúlio Vargas, e por isso merece ser documentada.









