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Sesc Santo André apresenta Transe – Ato I em programação que expõe bastidores e amplia debate proposto pela obra

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No teatro, há momentos em que a cena deixa de operar apenas como representação e passa a configurar uma travessia. Em maio, uma experiência no Sesc Santo André propõe esse percurso ao reunir oficina, espetáculo e encontro em torno de Transe – Ato I. Não se trata somente de assistir, mas de acompanhar o deslocamento de uma obra: da escrita ao ensaio, do ensaio à cena, da cena à reflexão.
 

A dramaturgia de Transefoi tensionada e ampliada durante a ocupação Cenas Centrífugas, realizada no Sesc Santo André em 2019, quando diferentes grupos transformaram a unidade em um ateliê aberto de criação. Nesse contexto, as obras deixaram de se sustentar como estruturas fechadas e passaram a funcionar como dispositivos coletivos, atravessados por improvisação, troca e experimentação. O que chega ao palco carrega esse percurso: um teatro construído na relação entre artistas, técnicos, público e espaço.
 

A experiência se inicia com a oficina O Cotidiano em TRANSE, que abre esse caminho ao expor o que costuma permanecer invisível. O público se aproxima das operações de construção: acompanha a reorganização do espaço de acordo com a estrutura do teatro da unidade, os ajustes de luz, as definições de som, as decisões de direção. A montagem deixa de se apresentar como resultado concluído e se revela como processo em andamento. Cada escolha explicita decisões coletivas; cada ajuste evidencia o trajeto entre concepção e realização. Ao final, o ensaio técnico reúne participantes e equipe em um mesmo fluxo, tornando perceptível a engrenagem que sustenta a cena.
 

É nesse universo que o espetáculo se apresenta — não como peça isolada, mas como parte de um percurso. Em Transe – Ato I, acompanhamos Ricardo, interpretado por Salloma Salomão, morador do bairro Jardim, em Santo André, herdeiro de uma estrutura familiar ligada à indústria que, ao ser atingido por um tiro, revisita sua trajetória em um fluxo de lembranças. O ponto de partida é concreto: um homem, um sobrado, uma cidade. A partir daí, a narrativa se desloca para um território instável, onde memória, política e imaginação se entrelaçam. A referência ao filme Terra em Transe atravessa o pensamento do personagem, embaralhando experiências pessoais e imagens históricas.
 

A encenação se constrói a partir dessa fricção. O público observa Ricardo pela janela de sua casa, em uma estrutura móvel que gira, altera ângulos e produz distanciamentos e aproximações. A presença de um diretor-narrador e de contrarregras em cena rompe a ilusão e explicita o dispositivo teatral, ao mesmo tempo em que introduz outras vozes na narrativa. Esses operadores, associados à figura de “operários fantasmas”, tensionam a origem social do personagem e registram o trabalho como eixo da dramaturgia. O figurino, elaborado a partir da reconstrução de uniformes de operários do ABC paulista, reforça a relação entre corpo, história e território. O espetáculo, assim, não se organiza em linearidade, mas em deslocamentos entre tempos, imagens e discursos.
 

Há, portanto, um movimento contínuo entre o íntimo e o coletivo. A trajetória de Ricardo não se encerra na esfera biográfica: ela aponta para uma memória social marcada por industrialização, militância, desigualdade e apagamentos. Ao situar a ação em Santo André, o espetáculo não nomeia apenas um lugar, mas ativa uma geografia afetiva e política, reconhecível para quem vive a cidade e instigante para quem a observa de fora.
 

A programação se desdobra, então, em outro eixo: o da escuta. Na oficina Velhices, memórias e sensibilidades, conduzida também por Salloma Salomão, a reflexão se volta ao tempo e às suas marcas. A partir de imagens, textos e relatos, o encontro aborda envelhecimento, etarismo, racismo, sexualidade e direitos, construindo um espaço de troca entre gerações. Se o espetáculo apresenta um personagem em confronto com sua trajetória, a oficina amplia essa questão para o campo coletivo, propondo um debate sobre memória e experiência na contemporaneidade.
 

Ao articular criação, apresentação e reflexão, a programação propõe um modo de acompanhar o teatro em diferentes estágios, sem hierarquizar processo e resultado. O público é convidado a circular por essas camadas, reconhecendo no percurso, e não apenas na obra final, o lugar onde a experiência se constitui.
 

Programação:  
 

O Cotidiano em TRANSE

com Elenco e equipe do espetáculo Transe – Ato I

Encontro apresenta o processo de criação de Transe – Ato I, desde a escrita dramatúrgica até a circulação do espetáculo. A atividade ainda expõe a metodologia colaborativa que integrou artistas e técnicos em cena, evidenciando como escolhas de ensaio influenciam a forma final. O público acompanha a adaptação da montagem ao espaço do teatro, observando cenografia, luz, som e projeções, e participa de uma passagem técnica comentada, seguida de conversa sobre o trabalho.

Dia 1 e 8/5, sextas, das 14h às 17h30

Teatro

Não recomendado para menores de 16 anos

Inscrições pelo aplicativo Credencial Sesc SP a partir de 15/4

Transe – Ato I

Com Salloma Salomão

Espetáculo que acompanha Ricardo, homem que revisita sua trajetória após ser baleado em sua casa, nos anos 1990. Entre lembranças pessoais e referências ao filme Terra em Transe, a narrativa articula memória, política e delírio. Em cena, a presença de um intérprete amplia e tensiona os relatos do protagonista, cruzando realidade e ficção. A montagem integra atuação, operação técnica e elementos visuais e sonoros em uma estrutura que evidencia o próprio fazer teatral.

De 1, 2 e 9/5, sextas e sábados, às 19h

Dia 8/5, sexta, às 20h

Teatro

Não recomendado para menores de 16 anos

Ingresso – R$ 50,00 / R$ 25,00 / R$ 15,00

Velhices, Memórias e Sensibilidades

com Salloma Salomão

Atividade propõe reflexão coletiva sobre envelhecimento, memória e experiência nas grandes cidades. A partir de referências como filmes, materiais impressos e relatos pessoais, o encontro aborda temas como etarismo, racismo, sexualidade e direitos da população idosa. A metodologia privilegia a troca com o público, articulando escuta, debate e síntese crítica sobre as condições e perspectivas do envelhecer na sociedade brasileira contemporânea.

Dia 9/5, sábado, das 15h às 17h

Teatro

Idosos

Grátis – Inscrições no local com 30 minutos de antecedência

SESC SANTO ANDRÉ

Rua Tamarutaca, 302 – Vila Guiomar – Santo André

Telefone – (11) 4469-1200

Estacionamento: R$ 7,00 a primeira hora e R$ 2,00 por hora adicional (Credencial Plena). R$14,00 a primeira hora e R$ 3,50 por hora adicional (Outros)

Informações sobre outras programações: Sescsp.org.br/santoandre

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