Meet Point Estadão Think discute como a tecnologia, o comportamento do viajante e o papel das comunidades locais devem transformar o setor nos próximos anos
O turismo do futuro não será apenas mais digital — será mais personalizado, consciente e conectado à realidade local. Se hoje as plataformas oferecem milhares de experiências em poucos cliques, a próxima fronteira do setor está em unir tecnologia com curadoria humana e planejamento com propósito. Esse foi o tom da conversa no Meet Point Estadão Think – O futuro das viagens, experiências, tecnologia e tendências, promovido pelo Estadão Blue Studio com patrocínio da Civitatis. Participaram do encontro Alexandre Oliveira, country manager da Civitatis Brasil; Marina Guaragna, influenciadora de viagens; e Mônica Samia, secretária executiva de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, com mediação da jornalista Camila Silveira
Mais do que destinos, os viajantes buscam vivências com significado. E é nesse ponto que dados, inteligência artificial, redes sociais e políticas públicas se encontram. “As pessoas querem saber o que fazer, não apenas para onde ir”, resumiu Oliveira. “Elas procuram experiências com a cara delas, e a tecnologia nos ajuda a identificar essas preferências e entregar exatamente o que faz sentido para cada perfil”, completou.

Viagem como experiência, não vitrine
A ideia de viajar para “tirar a mesma foto” de influenciadores famosos começa a dar lugar a uma nova forma de explorar. “As pessoas querem descobrir o que ainda não foi mostrado e compartilhar isso”, contou a influenciadora Marina Guaragna, que produz conteúdos em destinos pouco óbvios. “Muita gente nos acompanha porque mostramos o lado real da viagem, inclusive os perrengues. Isso cria identificação e confiança”, acrescentou.
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Nesse cenário, o papel do criador de conteúdo é menos sobre vender um sonho e mais sobre entregar informações confiáveis, alinhando expectativas. Ferramentas como tradução instantânea, roteiros inteligentes e realidade aumentada já fazem parte do dia a dia de quem viaja, mas o filtro da experiência vivida segue insubstituível. “A tecnologia ajuda, mas o humano ainda pesa muito. É a nossa curadoria que mostra se aquele passeio vale a pena de verdade”, disse Marina.
Turismo local, segmentado e sustentável
A busca por autenticidade também tem provocado mudanças nas políticas públicas. No Estado de São Paulo, a descentralização do turismo virou prioridade. “O paulista redescobriu o interior durante a pandemia. Viagens curtas, de carro, para lugares com natureza e contato com comunidades locais ganharam protagonismo”, afirmou Mônica Samia, secretária executiva de Turismo e Viagens do Estado.

Segundo ela, hoje, a gestão estadual investe em dados para orientar ações promocionais, estruturar roteiros temáticos — como o de turismo náutico, religioso ou gastronômico — e impulsionar destinos emergentes por meio de voos regionais e parcerias com companhias aéreas. “O futuro do turismo é regionalizado, temático e inteligente. Não dá mais para vender tudo para todos: é preciso saber o que cada destino tem a oferecer de único”, disse a secretária.
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Essa segmentação também conversa com novas práticas de viagem, como o turismo híbrido, que mistura lazer e trabalho. “O turista quer poder prolongar a estadia, fazer uma pausa para viver o lugar, não apenas visitá-lo. E São Paulo tem essa diversidade de experiências num raio de poucas horas”, completou.
Curadoria e personalização: o novo ouro do turismo
Se, no passado, viajar exigia empilhar guias de papel, hoje o desafio é escolher bem entre milhares de opções. A Civitatis, que oferece experiências em mais de 160 países, aposta em tecnologia combinada com curadoria humana para garantir qualidade e segurança. “A experiência tem que ser boa do início ao fim — e isso só é possível quando tecnologia e pessoas trabalham juntas”, afirmou o country manager da empresa.
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Essa personalização será cada vez mais importante para lidar com problemas como o overtourism, quando atrações sofrem com excesso de visitantes. “Não existe tecnologia que crie duas Sagradas Famílias. É preciso planejamento, antecedência e diversificação dos destinos”, disse o executivo.
O excesso de informação também pode atrapalhar. Por isso, Marina defende que o viajante faça sua própria curadoria: “Não vá porque todo mundo foi. Pense no que realmente te faz feliz. A melhor viagem é aquela que tem a sua cara”.
Turista do futuro: conectado, mas consciente
Mais do que buscar novas tecnologias, o turista do futuro precisará desenvolver consciência e responsabilidade. Escolher destinos sustentáveis, apoiar comunidades locais e respeitar a cultura dos lugares visitados são atitudes que tendem a definir os novos roteiros. “O turismo é bom quando também é bom para quem vive no destino. Viajar precisa deixar boas memórias e menos impacto”, afirmou Mônica.
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Para Marina, o conselho é simples: “Não conte países, conte experiências. É isso que faz a diferença”. E completa: “O mais importante é viver primeiro e compartilhar depois”. Já Oliveira reforça: “Planejar bem, se abrir para o novo e usar a tecnologia como aliada são os caminhos para uma viagem memorável”.
Por Civitatis e Estadão Blue Studio
Fonte: https://www.estadao.com.br/economia/civitatis-turismo








