O câncer infantil começa muito antes da primeira quimioterapia. Ele começa nos sintomas que muitas vezes passam despercebidos, na busca por respostas, nas idas e vindas a serviços de saúde até que o diagnóstico finalmente chega. A partir daí, a vida da família muda por completo.
“No câncer infantil, a jornada começa no susto, na dúvida, na peregrinação por consultas. Quando o diagnóstico vem, tudo se reorganiza em torno do tratamento. A família entra em uma rotina de hospital, exames, medo e decisões difíceis. E logo surge outra angústia: como seguir, como pagar as contas, como ficar perto do hospital, como cuidar dos outros filhos”, afirma Bianca Provedel, CEO do Instituto Ronald McDonald.
O peso do diagnóstico no Brasil
No Brasil, cerca de 8 mil crianças e adolescentes são diagnosticados com câncer todos os anos. Embora as chances de cura possam ultrapassar 80 por cento quando há diagnóstico precoce e tratamento adequado, essa realidade ainda está longe de ser igual para todas as famílias. Atrasos no diagnóstico, falta de informação e desigualdades regionais seguem comprometendo o início do tratamento e, em muitos casos, as chances de sobrevivência.
Para Bianca, o diagnóstico precoce é o primeiro grande divisor de águas nessa jornada.
“Quando o câncer é identificado cedo, o tratamento tende a ser menos agressivo, mais eficaz e com maiores chances de cura. Por isso, reconhecer os sinais da doença é uma responsabilidade coletiva que envolve profissionais de saúde, educadores e a própria sociedade.”
A escola e a atenção aos primeiros sinais
É com esse objetivo que o Instituto Ronald McDonald desenvolve o Programa Diagnóstico Precoce, que atua na capacitação de profissionais da saúde e também de educadores. Crianças passam grande parte do tempo na escola, e professores muitas vezes são os primeiros a perceber mudanças de comportamento, cansaço persistente, dores ou alterações físicas. Saber identificar esses sinais e orientar as famílias faz diferença direta no tempo entre os primeiros sintomas e o início do tratamento.
“A escola também salva vidas quando está preparada para reconhecer que algo não vai bem. Informação e sensibilização reduzem atrasos no diagnóstico e aumentam as chances de cura”, destaca Bianca.
Quando o tratamento começa, a vida precisa continuar
Quando o tratamento se inicia, novos desafios surgem. Muitas famílias precisam se deslocar para outras cidades, abandonar o trabalho e reorganizar completamente a rotina para acompanhar a criança nos hospitais. Dados do Instituto Ronald McDonald mostram que a maioria das famílias atendidas vive em situação de vulnerabilidade social, o que torna essa jornada ainda mais difícil.
O papel do acolhimento para evitar o abandono
É nesse momento que entram as unidades dos programas Casa Ronald McDonald e Espaço da Família Ronald McDonald. As Casas oferecem hospedagem, alimentação, transporte e apoio psicossocial para famílias que precisam permanecer perto dos centros de tratamento. Já os Espaços da Família, localizados dentro dos hospitais, oferecem áreas de descanso, alimentação e convivência, reduzindo o desgaste das longas jornadas hospitalares.
“O cuidado não termina no leito hospitalar. Quando garantimos que a família tenha onde ficar, o que comer e apoio emocional, estamos criando as condições para que o tratamento continue. A criança só consegue seguir se quem cuida dela também estiver amparado”, explica Bianca.
Impacto nacional e compromisso de longo prazo
Ao longo de mais de 26 anos de atuação, o Instituto Ronald McDonald já beneficiou diretamente mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes e impactou cerca de 13 milhões de vidas em todo o Brasil. A experiência mostra que o acolhimento integral reduz o risco de abandono do tratamento e fortalece a adesão, um fator decisivo para a cura
No Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil, celebrado em 15 de fevereiro, o Instituto reforça que combater a doença exige muito mais do que infraestrutura hospitalar. Exige diagnóstico no tempo certo, informação, políticas públicas, apoio às famílias e uma rede que acompanhe essa jornada do começo ao fim.
“O câncer infantil não é apenas uma doença. É uma ruptura social, emocional e econômica para a família. Garantir que nenhuma criança tenha sua chance de cura comprometida por falta de apoio é uma responsabilidade de todos nós”, conclui Bianca Provedel.








